Quarta-feira, Junho 03, 2009

Este amor que nos jorra - jorra e queima
em paixão que flutua ou já guerreia
contra si próprio se tornado cinza,
contra o destino se tornado areia...

Este amor é dilúvio - é fora e dentro
mesmo se sabendo que é candeia
a esmorecer em bruma, ao fogo lento
de nos deixar a dor quando se enleia

à nossa desrazão, ao fim do entendimento,
à ambígua amarração de luz e de tormento
nestas bolsas de sal às vezes cheias.

Este amor é de carne - é foz patente
de um rio sempre a crescer, sempre na esteira
do que tão perto está mesmo se ausente.

João Rui de Sousa, Obra poética

1 comentário(s):

Anabela disse...

"E aparece assim
Acendeu-se a luz
Estão vivos outra vez
Se é tão bom de ouvir
Vivo para ti
Até o nosso amor morrer

Mas deixa o nosso amor morrer"
(Ornatos Violeta)

Olá novamente, após tantos meses de ausência (minha).
Continuas profunda e inspiradora, com as melhores selecções de textos que conheço.
Um abraço,
*Belynha*