De muitas formas se diz a minha luz
De muitos modos me visita o meu anjo
Vem devagarinho                        por dentro me rasga com navalhas de
cristal; veste-me de âncoras na turbulência dos abismos; molda-me com
esperas na voraz negritude da cidade                        Às vezes, na deriva
repetida das pedras, na solidão dos bosques, enfeita de estrelas os espelhos onde
me deito
De muitas formas se diz a minha luz
vem comigo ao sussurrar das ondas, e aí, no janelo da tarde, lê-me
Nuno Júdice para que a minha tristeza não alastre; desliza também nos
palácios dos subúrbios, nos espaços nevados de safiras e brilhantes,
onde a melancolia, redil de gestos impossíveis, inventa reinos que só eu
habito
De muitas formas se diz a minha luz
por fim, numa pausa de murmúrios, numa paleta de cheiros bem fortes
deixa o meu corpo feliz na alegria revolta da Terra
Victor Oliveira Mateus, A noite e a voz (conheça mais aqui)
Sexta-feira, Maio 01, 2009
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