Aquele que o meu coração ama
ergueu-se do meu leito e nele esqueceu
as repetidas promessas de um regresso
em que aos meus olhos ensinaria
a única maneira de esconder
o prenúncio de invisíveis desertos
aquele que o meu coração ama
afogou em noites de leite e mel
o rasto dos oásis que
teciam a sede do desejo no meu peito
e bebeu neles as horas de um destino que
me acenava de muito longe
aquele que o meu coração ama
partiu às cegas sem descobrir
as húmidas palavras que se espalham
à sombra dos ciprestes
contando os minutos que faltam
para a vertigem do corpo onde o aguardo
Alice Vieira,O que dói às aves (via Blogue do JL)
Segunda-feira, Maio 18, 2009
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
1 comentário(s):
Gostei de encontrar este poema que não conhecia.
Os que são amados, partem sempre antes do tempo. Partem enquanto os dedos ainda são chama e os lençois esperam o tempo de ser desfeitos.
Obrigada pela partilha.
Um beijo
Enviar um comentário